Ano da Fé

O Ano da Fé proposto pelo Papa Bento XVI, na Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio Porta Fidei, que terá início no próximo 11 de outubro e se encerrará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de novembro de 2013. Esse tempo deverá ser ocasião oportuna para reavivar a própria fé, redescobrindo as razões de nossa esperança, afim que nosso testemunho cristão seja eficaz na transformação da sociedade em que vivemos, pois como diz o Papa Bento XVI, “os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou”.

De fato, é preciso redescobrir a força da fé, para confessá-la, celebrá-la e testemunhá-la ao mundo. Nos evangelhos muitas vezes ouvimos dos lábios de Jesus a seguinte expressão: Tua fé te salvou. Vai em paz (cf. Lc 7,50), o que demostra a importância da fé na vida de cada ser humano; crer é crer em Jesus Cristo que é o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14, 6), pois nisso, consiste a vida eterna (cf. Jo 17, 3). Sem a fé somos como folhas levadas ao sabor dos ventos e das modas humanas, cuja alegria e felicidade não passam de realidades efêmeras, tão breves como o próprio orvalho da manhã; o que produz uma vida sem esperança, ou melhor, sem horizontes, encerrada na pequena extensão do mundo. Assim, o ano da Fé é um convite a uma renovada conversão ao Senhor Jesus e ao empenho missionário, pois, “hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, pra descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé (...) que cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria.”

Em outras palavras, é crendo que a fé cresce e se revigora, tornando-se uma força renovadora da própria vida e do mundo. O Papa Bento XVI, nos alerta ao afirmar que, “sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado.” Como vivemos num mundo pluricultural e não mais em uma sociedade unitária permeada e alicerçada na fé, corremos o risco de descuidar da própria fé e assim tornar vazia nossa própria experiência e existência cristã. É em meio a essa pluralidade de opiniões e ideias que somos convidados a viver convictamente nossa fé que, como lembra o papa, é a porta que “nos introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja (...). Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira.”

Este caminho inicia-se no Batismo e encerra-se na passagem definitiva de cada cristão, que é chamado a viver plenamente na comunhão com Deus Uno e Trino. A feliz iniciativa do Papa Bento XVI, da convocação de um Ano da Fé, reflete não apenas a necessidade de revigoramento da Fé cristã, num mundo marcado por um excessivo individualismo e relativismo, que lentamente tem invadido nossos lares e comunidades, transformando-os no deserto do cada um pra si; mas também a celebração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e dos 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, fruto do desejo dos padres da Assembléia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, de 1985, e também preparação para uma nova Assembléia Sinodal, em outubro próximo, com o tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Olhando para o passando, sabemos o quão importante para a vida eclesial foi o Concílio Vaticano II (1962-1965), verdadeiro aggiornamento da Igreja, onde mais do que condenar os erros do tempo presente, segundo o desejo do próprio Papa João XIII, tinha como objetivo mostrar serenamente a força e a beleza da doutrina da fé.

Dessa maneira, o Concílio não rompeu com o passado, com a Tradição, mas ao contrário, repropôs as verdades inalteráveis da fé com sua beleza e força sempre novas adaptada aos tempos modernos. Hoje, podemos dizer, que tal evento foi uma grande primavera na vida da Igreja Católica, lançando luzes à beleza sempre antiga e nova da fé cristã. Devemos avançar na evangelização, com os seus novos desafios, sem perder de vista a grandeza deste e dos demais concílios da Igreja, de onde emana a força do Evangelho, a verdade da fé. Para que o Vaticano II pudesse atingir seu objetivo, além dos documentos promulgados e da reforma realizada, os bispos em 1985 entenderam que era necessário um novo Catecismo, o que foi aceito com entusiasmo pelo Papa João Paulo II e assim começaram os trabalhos da redação desse novo texto. Tal Catecismo foi promulgado em outubro de 1992, cujo vigésimo aniversário será celebrado no Ano da Fé.

Seguindo a tradição do antigo catecismo o novo texto foi redigido em 4 partes: Credo (Profissão de fé), Liturgia (Sacramentos), Conduta cristã (Mandamentos) e Oração Cristã (Pai nosso); assim o mistério cristão que é objeto de fé no Credo, celebrado na Divina Liturgia, ilumina o agir de cada cristão e funda sua vida de oração. Nesse sentido, o Ano da Fé convida-nos a retomar o Catecismo da Igreja Católica, norma segura para ensinarmos a fé, para que possamos dar razões de nossa esperança à todos que nos perguntarem (cf. 1Pd 3,15) e conhecer melhor o que a Igreja Católica crê, ou seja, aquilo que é nossa fé.

Como bem lembra o papa Bento XVI, “existe uma unidade profunda entre o ato com que se crê e os conteúdos a que damos o nosso assentimento”, ou seja, a fé tem conteúdos, assim se faz necessário uma redescoberta e estudo dos conteúdos fundamentais da fé cristã. Dessa forma, no Ano da Fé o Catecismo da Igreja Católica será um instrumento de grande valor, pois, para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos encontrarão nele um subsídio precioso e indispensável. Além do aprofundamento dos conteúdos da fé, é urgente recordar que a fé professada com os lábios implica testemunho e compromisso social, “a fé, precisamente porque é um ato da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita”. Dessa maneira, somente a fé que se traduz em obras (cf. Tg 2,17) poderá ser considerada uma fé viva.


Pe. Agnaldo Rogério dos Santos

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